Sextas Spooky | Train to Busan (2016)

10.07.2017

Se já me conhecem sabem que filmes de terror não são a minha praia. Mas como Outubro é o mês mais assustador do ano decidi trazer-vos a opinião de um filme um pouco mais assustador ainda que de uma forma mais levezinha. Hoje falo-vos do filme “Train do Busan” de 2016 da Coreia do Sul.

Num comboio de alta velocidade com destino à cidade de Busan, na Coreia do Sul, um vírus misterioso que transforma as pessoas em zombies acaba por se espalhar de uma maneira devastadora. A cidade de destino conseguiu com sucesso defender-se da epidemia, mas até chegar lá eles deverão lutar pela sobrevivência.
Quando o filme estreou o hype à volta dele acabou por ser muito grande e a minha curiosidade por ele acabou por ser grande apesar de saber que ele teria uma temática mais para o suspense. Depois comecei a perceber que o filme não seria assim tão assustador apesar da sua classificação e a minha expectativa para o ver só aumentou. Este mês de Outubro decidi mesmo que seria a altura de o ver e posso dizer-vos que ele me surpreendeu muito. O filme centra-se na história de um homem, director de uma empresa de gestão financeira, que ao se focar na sua carreira acaba por se desleixar da sua vida pessoal, levando a que o seu casamento tivesse terminado e que a relação com a sua filha pequena não fosse das melhores. No dia do aniversário da filha ela e o seu pai acabam por pegar o comboio com destino a Busan a cidade onde está a sua mãe. Tudo corria bem até ao momento em que entra no comboio no último momento uma rapariga infectada com um vírus estranho que a transforma num zombie e que acaba por começar a atacar os passageiros no comboio que terão assim que tentar lutar pela sua sobrevivência. 

Este é o típico filme de acção sobre uma situação pós apocalíptica nos dias de hoje. A premissa pega nas nossas situações do dia-a-dia e coloca-nos no extremo das nossas capacidades de sobrevivência. Pai e filha que tinham uma relação distante vão ter de conviver numa das piores situações que a vida lhes podia ter proporcionado e vai mostrar a ambos que o amor que sentem um pelo outro é maior do que qualquer distância que ambos se tinham imposto. E isto acontece com todos os personagens principais que vão aparecendo ao longo do filme. Um casal à espera do primeiro filho que ainda não decidiu o nome a dar à criança, duas irmãs com diferentes ideias, um casal de namorados com vergonha de assumir o seu amor. Para mim o maior terror do filme reside mais na questão da humanidade que existe em cada um de nós humanos que pensamos e somos racionais em comparação com um ser humano transformado numa criatura irracional. O filme sabe muito trabalhar toda a parte mais humanística com a personagem da filha do protagonista ao ter uma alma bondosa e querendo ajudar toda a gente, por contrapartida do seu próprio pai no início do filme como até de alguns personagens que tudo vão fazer pela sua sobrevivência até enviar alguns para uma morte terrível. 

O filme ganha muito tanto pela sua parte mais humana e de enredo humanístico e questões de moralidade mas também por toda a sua parte de imagem e produção. A Coreia do sul não se poupou a esforços em contratar pessoas com uma capacidade fantástica em interpretar zombies de uma forma credível e com ideias muito interessantes. Aliás, toda a ideia por detrás do aparecimento destes zombies foi muito bem pensada. Todas as cenas com eles são muito bem produzidas e colocadas para impressionar o espectador e levá-lo a assustar-se com tamanha situação, e não são o típico zombie que estamos habituados a ver, estes são mais enérgicos e de morte mais difícil, logo todo o seu combate leva a cenas de cortar a respiração. Para isto impressiona-nos logo a cena inicial do filme que nos mostra que aquilo que iríamos ver a seguir só poderia ser muito terrível, onde um veado ao ser atropelado reergue-se em forma de zombie. 

O ser humano exposto a situações extremas reage de formas muito diferentes e neste filme conseguimos perceber isso mesmo, que nem todos vamos ter a bondade de ajudar o próximo e que por vezes só vamos querer mesmo é salvar a nossa pele a todo o custo. Train to Busan mostra-nos isso mesmo através de um filme de um país que nos habituou ao seu lado mais frio de encarar as situações. Gostei muito deste lado que por vezes é também esquecido em filmes de acção mais intensos, que não deixa de ser o caso deste filme. É um filme que recomendo a fãs do cinema coreano que apesar de nos trazer um tema actual não irá agradar a todos muito pelas suas interpretações, mas ao qual recomendo que dêem uma oportunidade.  





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