Cineclássicos | Cinema Paradiso (1988)

9.08.2017

Este filme já estava na minha lista de filmes a ver há algum tempo e sempre que olhava para ele achava que ia gostar mesmo muito dele. Acho que o facto de ter algo a ver com o cinema me dizia que ia ser a minha cara. Tinha decidido que o ia ver para o BEDA, mas isso acabou por não acontecer. E depois decidi que ele ia aparecer mesmo aqui pelo blog. Um filme que me surpreendeu muito e do qual hoje vos falo.
Nos anos que antecederam a chegada da televisão numa pequena cidade da Sicília, Toto (Salvatore Cascio) ficou hipnotizado pelo cinema local e inicia uma amizade com Alfredo (Philippe Noiret), projeccionista que se irritava com uma certa facilidade, mas que tinha um enorme coração. Todos estes acontecimentos chegam em forma de lembrança quando Toto (Jacques Perrin), agora um cineasta de sucesso, recebe a notícia de que Alfredo faleceu.
O filme começa quando uma senhora de idade e a sua filha estão a tentar ligar para alguém que se presume ser o seu filho. Essa pessoa não está a atender e percebemos depois que ele recebe o recado da sua mãe através da sua namorada de que Alfredo morreu. Nessa noite e deitado na sua cama Toto recua à sua infância e leva-nos numa viagem mágica. Quando ele era criança ele era apaixonado por cinema e pela arte de o projectar. Indo contra a sua mãe e contra o Alfredo o projeccionista do Cinema Paradiso, ele começa a aprender a arte e a rodar a sua vida à volta disso. A história vai evoluindo e segue desde as suas aventuras enquanto um garoto traquina, até um jovem apaixonado, e depois um homem de sucesso. É quando a notícia da morte do seu grande amigo Alfredo o faz regressar à sua terra que ele é obrigado a reviver estas boas lembranças.

E este é um filme tão mas tão bonito que eu nem estava à espera de ter gostado tanto. O filme é uma ode ao cinema e aos amantes do cinema. Naquela pequena cidade de Itália o Cinema Paradiso era o único entretenimento e era adorado por todas na aldeia. Era realmente um bom momento de agregado social onde todos, mas mesmo todos, tinham direito ao seu espaço. Inclusive para o nosso protagonista que é o ajudante do padre local e que vive numa família um pouco traumatizada com a guerra onde o pai acaba por morrer. É no cinema que Toto encontra o seu refúgio e em Alfredo o pai que nunca pode ter. Com ele vai visitar grandes clássicos do cinema e ficar a conhecer os grande filmes a preto e branco. Vamos perceber como um cinema antigo era e até como eles foram evoluindo. E neste filme é interessante ver como um conjunto de imagens podia ter um grande impacto num aglomerado de pessoas e até no padre local que gostava de ter uma palavra em certas cenas que deviam ser excluídas dos filmes, principalmente as mais picantes. E a cena final do filme é realmente a prova disso.  

O filme passa por várias fases, não só na sua linha narrativa, como nos seus estados humorísticos. O seu estado inicial é mais cómico e foca-se na infância de Toto. Esta é sem dúvida a parte mais bonita e divertida. É aqui que percebemos um menino muito apaixonado por cinema, mas que acima de tudo tinha um grande coração, era apenas muito traquinas e muito divertido. Depois temos a fase do Toto mais jovem onde ele já trabalha no Cinema Parasido e se apaixona por uma rapariga que acaba de chegar à cidade. Este já é um Toto mais maduro, mas ingénuo no amor que começa a viver, apaixonado e romântico, capaz das maiores loucuras. E por fim temos um Toto adulto que retorna à cidade com um outro olhar das coisas e acima de tudo das pessoas. Ao longo do filme percebemos um carinho especial por parte de toda a produção em retratar carinhosamente cada um dos personagens integrantes do filme, principalmente o povo daquela cidade que personifica e bem cada tipo de visitante de um cinema. Mais do que isso este filme soube retratar muito bem as pessoas e vivências da época, não só enquanto sociedade mas também nas suas fraquezas, sendo o cinema o seu grande escape do dia-a-dia. Gosto deste tom do filme, de não só acompanharmos a trajectória do Toto, mas de toda uma aldeia que acabou numa época a viver para aquele cinema. E consegue ser também um bom filme em termos da sua parte técnica, começando com uma banda sonora fantástica que realmente enquadra as vivências dos personagens e que fica no ouvido, mas também uma fotografia lindíssima, que realmente dá um ar mágico ao filme.  

Eu adorei o filme. É divertido, é bonito, é romântico, é uma ode ao cinema que realmente nos envolve e emociona. Marcou-me pala sua simplicidade, mas também por aquilo que me fez sentir e pensar, porque tal como o protagonista do filme e das pessoas da cidade também eu adoro cinema e ele teve e tem uma importância muito grande na minha vida, e por isso ver este filme também foi muito importante. É com certeza um filme a não perder e um que quero ter para a vida. 




 

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