Quintas indie | Hjartasteinn (2016)

8.24.2017


Corações de pedra era um filme que eu tinha debaixo de olho desde que este foi o vencedor do ano passado do Scope 100, uma iniciativa europeia de promoção e divulgação do cinema europeu. Em 2016, cem participantes viram e avaliaram sete filmes, com o propósito de escolherem um para ser exibido nas salas de cinema portuguesas. O filme acabou por estrear em Maio em Portugal e finalmente lá o vi. Este é um filme islandês coming of age do qual gostei apesar de não me ter arrebatado como eu esperava.
Thor e Christian são amigos inseparáveis. Quando o Verão se inicia, percorrem a pequena aldeia piscatória onde vivem, em distracções e brincadeiras próprias da adolescência. Enquanto um tenta conquistar o coração de uma amiga por quem se apaixonou, o outro desperta para sentimentos homoeróticos inesperados. Mas, com a chegada do Outono, que vem modificar a paisagem em redor, vão dar-se conta de profundas transformações dentro de si, num súbito – mas inevitável – despertar para a idade adulta…

Corações de pedra é um drama contido e contemplativo que se foca no despertar sexual dos jovens e na angústia do desejo não correspondido ou aceite. Retrata, com muita naturalidade e sensibilidade, o período no qual os adolescentes se encontram com as hormonas aos saltos, com um grande anseio por experiências sexuais, e no qual surgem crises de identidade. É também um filme com um ritmo lento, que se demora nos planos da natureza e olhares perdidos das personagens. De facto, o isolamento da pequena comunidade piscatória e a natureza bonita mas dura do norte da Islândia têm um grande impacto nas relações e mentalidades destes indivíduos que têm dificuldade em lidar com aquilo que foge às normas.


Na minha opinião, o filme acaba por pecar pelo seu meio ser arrastado demais (e metafórico) e não explorar com a profundidade necessária os sentimentos do Christian (apesar de existir uma pequena cena fantástica com o actor que exprime bem toda a sua dor e revolta). Para compensar, achei que a parte final foi extremamente bem conseguida, bem como, o sentimento de proximidade presente ao longo de toda a história. É também um filme com boas interpretações e visualmente muito bonito.


Concluindo, recomendo este filme para quem gosta de histórias coming of age melancólicas e que retratam bem a turbulência do desabrochar da juventude.



FICHA TÉCNICA:
🎥 Realizador: Guðmundur Arnar Guðmundsson
🎬 Baldur Einarsson, Blær Hinriksson, Diljá Valsdóttir,...
📼 2h09m; Drama
★★★☆☆




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