Doc | Best Worst Movie (2009)


Quando pensei nos documentários a abordar durante este mês especial que está a ser o Abril no Sofá pensei em temas que de algum modo estivessem relacionados com os temas que abordamos aqui no blog. E quando dei de caras com este documentário soube logo que o tinha que ver e falar por aqui sobre ele.

Em 1990 chegava à televisão e a alguns cinemas um filme chamado Troll 2. Um filme de orçamento muito pequeno e com muitos actores amadores que falava sobre uma invasão de trolls vegetarianos que começam a assombrar uma família de férias numa pequena cidade. O filme acabou por não ter muita aceitação por parte do público no geral e acabou por ser considerado o pior filme alguma vez feito. Com uma classificação de 2,7 no IMDB e de 6% no Rotten Tomatoes, o filme realmente não teve muito sucesso. Mas de repente, duas décadas depois, o filme começou a despertar a curiosidade de muitos jovens, fãs que realmente olharam para o filme e viram algo de bom e fantástico nele. Começaram assim a criar eventos, reproduções do filme em vários cinemas completamente esgotados e com imensas pessoas completamente loucas com o filme. É então que Michael Paul Stephenson, actor no filme Troll 2, vendo aquela loucura crescente decide pegar na câmara e registar em forma de documentário todo este fenómeno.


Estava muito curiosa com este documentário porque acho que, um pouco como a maioria das pessoas que acabou por gostar deste filme, eu também gosto de ver filmes que nem sempre são grandes sucessos de bilheteira e tentar perceber aquilo que se faz um pouco à margem dos grandes estúdios. Nem sempre estes pequenos filmes são assim tão maus. Troll 2 foi um filme de baixo orçamento realizado por um realizador italiano, Claudio Fragasso, e que queria contar uma história diferente e inovadora sobre uns Goblins vegetarianos. O filme não tendo muito orçamento acabou por ter de recrutar actores amadores e muitos que nem actores o eram. O roteiro não fazia muito sentido, os efeitos eram fracos e no fim as coisas acabaram por não funcionar. O staff de todo o filme seguiu em frente depois deste pequeno fracasso, muitos continuaram a seguir a carreira de actores, outros acabaram por seguir carreiras muito diferentes, como uma das pessoas mais entusiastas com o filme, George Hardy, que hoje em dia exerce a profissão de dentista. Mas o crescente amor por este filme fez com que todo o elenco e todo o staff quisessem contribuir para este documentário mostrando a sua participação no filme, o porquê de terem participado no mesmo, aquilo que o filme contribuiu ou não para a sua vida e essencialmente aquilo que foi participar no Troll 2.



Passar de um filme que foi um total fracasso para um filme com imensos fãs e que ninguém sabia explicar o fenómeno que se estava a criar, os actores e participantes também ficaram chocados e quiseram presenciar o porquê de tudo aquilo. Mais ainda, porque os fãs, não eram fãs normais, daqueles que vêm e que vão para casa. Eram fãs que criavam encontros a nível nacional, com perguntas e respostas com os actores, com jogos temáticos alusivos ao filme. Ou seja, todo um mundo criado à volta daquele filme. Para os actores e staff do filme tudo aquilo era um pouco inacreditável e ao longo do documentário vemos isso mesmo, à medida que todos eles vão contando a sua versão da participação no filme. E o mais engraçado neste documentário e o mais bonito é que quase todos falaram sobre a sua experiência ao participarem neste filme e pudemos perceber o que na altura os levou a participar e como o mesmo influenciou a sua vida. Temos o realizador do documentário que à época do filme era uma criança e que viu no filme uma oportunidade de começar toda uma carreira e que de algum modo o conseguiu. Temos o actor principal que tinha o sonho de ser actor, mas acabou por ser dentista. Temos uma actriz que acabou por não ter uma vida muito fácil. Temos um senhor que acabou por participar no filme apenas e só porque acharam que ele era perfeito para o papel e que na época até estava num hospital psiquiátrico. E temos também o realizador do filme que defendeu sempre ter feito um óptimo filme. Ou seja, no fundo todos eles tiveram as suas razões para participar no filme e o filme acabou por marcá-los de formas muito diferentes.


Gostei muito de ver este documentário, ele é muito agradável de ver, conseguimos compreender as razões de todos e de nos entusiasmarmos com aquilo que vemos. No fundo o documentário transmite-nos que não temos que gostar todos do mesmo e que mesmo os piores filmes vão ter uma audiência. Mas como em tudo na vida, este filme começou do nada, teve o seu alto e de repente já ninguém se lembrava dele. E é engraçado ver essa trajectória, porque no fundo também é um bocadinho isso que acontece com a maioria dos filmes. Gostei acima de tudo de ver as trajectórias de vida das várias pessoas que participaram no filme, porque eram pessoas normais como nós que se viram de repente envolvidas no pior filme alguma vez feito. No entanto, e nunca tendo visto o filme, pude ver algumas imagens do Troll 2 neste documentário e também eu constatar que para um filme sem orçamento e sem qualidade para muitos, há até alguns aspectos interessantes como alguns efeitos e até a maquilhagem dos Goblins. Não é perfeito mas não acredito que seja assim tão terrível. Para muitos até poderá ter sido um ponto de partida para outros filmes e acredito que para muitos será algo que quererão apagar para sempre da memória.

É sem sombra de dúvidas um documentário a ver, principalmente para quem gosta destes fenómenos do cinema. 

FICHA TÉCNICA:
🎥 Realizador:  Michael Paul Stephenson
🎬   George Hardy, Lily Hardy, Pita Ray   
📼 93 min; Documentário,Comédia, Drama
♥ 4/5

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