Filmes no Feminino | The Fits, Queen of Katwe & The Edge of seventeen

Para continuar este final de semana dedicado às mulheres no cinema, hoje trago-vos a opinião dos filmes que vi em Janeiro, Fevereiro e Março para o projecto "Filmes no Feminino" (filmes realizados por mulheres). Os três filmes escolhidos foram 3 filmes que estrearam em 2016 fora de Portugal e que eu estava interessada em ver: The Fits, Queen of Katwe & The Edge of seventeen


Queen of Katwe é um dos mais recentes filmes da "linha de desporto" da Disney. É baseado na história verídica de Phiona Mutesi, uma criança de 10 anos que vive nas ruas de Kampala, Uganda. Ela vende legumes para sustentar a sua família e ir à escola não é uma opção. A sua vida muda quando ela conhece Robert Katende (David Oyelowo) e começa a jogar xadrez. (ficha IMDB aqui)
Sem dúvida, que é visível o espírito "Disney" neste filme pois possui uma mensagem muito inspiradora. É também uma história coming of age que se foca no crescimento pessoal de Phiona, como ela vai lidando com o seu sucesso e com as suas raízes. A mãe da Phiona (Lupita Nyong'o) é também retratada neste filme e a sua história é das mais interessantes; vemos como ela enfrenta as dificuldades que surgem do facto dela ser uma mãe viúva e como ela luta para proteger os seus filhos.
As interpretações  de Lupita Nyong'o e David Oyelowo trazem muita qualidade e seriedade ao filme, tornando-o num filme superior aos típicos filmes juvenis inspiradores da Disney. São excelentes interpretações e os melhores momentos surgem quando eles estão em cena. As várias crianças que aparecem ao longo do filme, incluindo a protagonista, têm também interpretações bastante convincentes.
O filme, apesar de capturar bem a pobreza e atmosfera da zona de Katwe, é também visualmente bastante apelativo e muito colorido.
Queen of Katwe não é um filme excelente mas é um bom filme de família que eu recomendo para quem gosta de filmes baseados em factos reais, focado em culturas diferentes e com uma mensagem positiva. ★★★☆☆½



The Fits foi um filme que apareceu na lista de melhores filmes de 2016 de alguns críticos de cinema e, como tal, era um filme que eu estava curiosa para ver (ficha IMDB aqui). É um filme curto, com pouco mais de uma hora, e o filme de estreia da realizadora. Como este é um filme tão pequeno e simbólico, não vou falar muito do enredo porque acho que quanto menos souberem do filme melhor. O mais importante realmente a ter em conta, é que este é um filme apresentado do ponto de vista da pequena Toni; vemos o mundo através dos seus olhos e esta é uma protagonista bastante silenciosa. 
O filme funciona essencialmente como uma grande metáfora e acaba por ser uma história coming of age totalmente feminina. Esteticamente, é um filme bastante deslumbrante e tem realmente uma qualidade quase mística. Não existe muita acção nem diálogo, o ritmo é pausado e a atmosfera, para mim, oscilou entre tensa e misteriosa, e aborrecida. Uma vez que as meninas não são verdadeiramente actrizes mas sim membros de um grupo de dança real, há uma naturalidade e genuinidade que conferem um toque especial ao filme.
Concluindo, este é um filme nao convencional, quase surrealista e bastante metafórico que agradará a algumas pessoas e frustará imenso outras. Confesso que a mim não me cativou particularmente e acabei mesmo por me sentir bastante desinteressada em certos momentos do filme. No entanto, vejo bastante potencial na realizadora. ★★☆☆☆½



The edge of seventeen lembra facilmente os filmes de comédia/drama adolescente de John Hughes dos anos 80 (ficha IMDB aqui). Também aqui, no filme de estreia desta realizadora, nos focamos numa adolescente desajeitada no secundário e seguimos os seus dilemas, amizades e paixões.
A interpretação de Hailee Steinfeld é realmente bastante forte e percebo porque foi nomeada para um Globo de Ouro. Ela consegue retratar bem a raiva e veia melodramática dos adolescentes mas também consegue ser bastante vulnerável e simpatética.
Acho que aquilo que mais gostei no filme foi o facto de subverter um pouco a típica ode ao adolescente estranho e deslocado, que muitas vezes é glorificado neste género de filmes, apesar de ser geralmente um tipo de personagem que facilmente se pode tornar irritante. Neste filme, eles reconhecem esse facto e, se por um lado nos mostram que realmente não há mal nenhum em ir contra a corrente e ser um pouco antisocial, por outro lado também reconhece que existe uma linha ténue entre o não querer ser igual aos outros ou ser perfeito, e o ter uma atitude negativa e pretenciosa.
O filme nalguns momentos é formulaico e previsível, mas possui bastante coração e ilustra bem os medos e ansiedades de uma adolescente que se sente sozinha no mundo. A relação entre ela e um dos seus professores (Woody Harrelsen) é também bastante divertida e algo que não é muito retratado neste tipo de filmes.
Concluindo, se gostam de comédias/dramas sobre o mundo adolescente penso que este filme vos irá agradar. ★★★☆☆½




Já viram algum destes filmes? 
Qual aquele que vos desperta mais o interesse?









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2 comentários

  1. Os dois primeiros ainda não vi mas o último está bem conseguido

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    1. É verdade :) Obrigada pelo comentário.

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