Dose dupla #2 | Vincent Price



Para segundo tema da rubrica Dose dupla, resolvi escolher uma das lendas dos filmes de terror: Vincent Price. Os filmes escolhidos foram "Theatre of blood (Matar ou não matar...)" e "The abominable Dr. Phibes (O Abominável Dr. Phibes)".

Vincent Price (1911-1993) nasceu e cresceu em St. Louis (Missouri, USA) no seio de uma família abastada que lhe proporcionou uma boa educação. Estudou História da Arte e Inglês em Yale e, mais tarde, artes dramáticas em Londres. A sua carreira teve início no teatro mas rapidamente passou para o cinema, onde começou por desempenhar papéis dramáticos (The Privates lives of Elizabeth and Essex (1939), The House of Seven Gables (1940), Laura (1944), Leave her to heaven (1945), etc...).


 Em 1953, estreou-se num território mais negro com o filme House of Wax, onde desempenhou o papel de um artista perturbado e desfigurado, que faz esculturas de cera usando pessoas reais. Ainda nos anos 50, estreia-se num tipo de personagem que seria habitual ao longo da sua carreira - cientista/médico - nos filmes The fly (1958) e The Tingler (1959). Nos anos 60, viria a protagonizar vários filmes adaptados de contos de Edgar Allan Poe num ciclo realizado por Roger Corman (The Haunted palace (1963), The Raven (1963), The masque of the Red Death (1964), etc...).
Todos este filmes ajudaram a estabelecer o personagem tipo do actor: homem de porte aristocrático, atormentado, que atrai sobre si a tragédia ou é dado a sede de vingança.


Para além das suas participações em filmes de terror, Vincent Price é também conhecido pelas suas participações em séries televisas (The Brady Bunch, Batman, etc...), pelo seu fantástico monólogo na música "Thriller" (1983) de Michael Jackson e por dar a voz ao vilão Ratigan no filme de animação da Disney - The Great Mouse Detective (1986).


De facto, para além do seu fantástico bigode, Price foi sempre reconhecido pela sua voz profunda, ao mesmo tempo dócil e ameaçadora, e capacidade de declamar e narrar,
Morreu em 1993, vítima de cancro de pulmão. Um dos seus últimos grandes papéis foi o de inventor no filme Edward's Scissorhands (1990) de Tim Burton.




Nota: 6,7 | Realizador: Robert Fuest | Interpretações: Vincent Price, Joseph Cotten | [IMDB]
Depois de uma equipa de cirurgiões ser mal-sucedida na operação de sua amada esposa, o que a levou à sua morte, o emocionalmente perturbado Dr. Phibes formula criativamente uma receita fatal como vingança. Usando a Bíblia Sagrada como seu guia, Phibes desencadeia sobre seus inimigos uma série de atrocidades do velho testamento.
 Nota: 7,3 | Realizador: Douglas Hichox | Interpretações: Vincent Price, Diana Rigg | [IMDB]
Edward Lionheart é um actor preterido para um prémio de interpretação atribuído pela crítica, apesar de ter produzido uma temporada de peças de Shakespeare. Após confrontar a Associação de Críticos, tenta suicidar-se mergulhando no rio Thames, só que acaba por ser salvo por vagabundos. Dado como morto, Lionheart executa então a sua vingança contra os críticos que lhe negaram o reconhecimento que ele considerava merecido, através de assassinatos mesmo muito elaborados.
Para esta rubrica, eu decidi ver dois filmes com temáticas semelhantes e de uma era do actor da qual eu conhecia menos - os anos 70 -  e posso dizer que gostei de ambos.
Em ambos os casos, temos a personagem principal, interpretada pelo Vincent Price, que foi injustiçada ou traída por um grupo de pessoas e que agora está de volta para exercer vingança. Nos dois filmes, este é auxiliado por uma mulher e executa a sua vingança de um modo muito metódico. Eu gosto muito de filmes de vingança e, em ambos os casos, esta é executada de uma forma muito creativa, quer esta seja baseada nas pragas do Egipto ou baseada em peças de Shakespeare. Todas as mortes são bastante originais e algo macabras.
Apesar de serem filmes de terror, são também comédias pois as personagens têm humor (por vezes negro) e existem sempre alguns elementos do rídiculo presentes.


Na minha opinião, o O Abominável Dr. Phibes conquista, sobretudo, pela sua atmosfera gótica e misteriosa, o visual Art Deco do refúgio do Dr. Phibes e o invulgar guarda-roupa da personagem Vulnavia. Vale também a pena pelo próprio Dr. Phibes que é uma personagem bem trágica e excêntrica. Por outro lado, Matar ou não matar... apresenta uma história mais desenvolvida e sólida bem como interpretações mais marcantes. Aqui vemos várias facetas de Vincent Price, com direito a declamações de Shakespeare, e temos também a sempre espectacular Diana Rigg.


Concluindo, recomendo ambos os filmes para quem gosta de filmes de terror bizarros e teatrais que, acima de tudo, entretêm. Sem dúvida, que quero continuar a explorar a filmografia do actor.



Já viram algum destes filmes ou conheciam o trabalho de Vincent Price?




Fontes:

- http://www.biography.com/people/vincent-price-9446990#other-projects
- https://ajanelaencantada.wordpress.com/vincentprice/
- https://en.wikipedia.org/wiki/Vincent_Price

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