Cineclássicos | Stage door (1937)

Recentemente, vi o musical Top Hat, o meu primeiro filme de Ginger Rogers e Fred Astaire, e apesar de não ter adorado o filme, fiquei muito impressionada com a Ginger Rogers. Como tal, resolvi pesquisar na minha lista de filmes a ver se tinha mais algum com ela. Acabei por escolher este, Stage door, sobretudo pelo seu elenco, e tenho de vos dizer que esta escolha acabou por ser uma agradável surpresa.


Adaptação da peça de Edna Ferber e George Kaufman que conta o percurso e experiência de um grupos de raparigas que sonha com o sucesso no palco e que vivem juntas numa pensão enquanto buscam trabalho nos teatros.

Stage door (pt: A porta das estrelas) decorre em Nova Iorque nos anos 30, mais precisamente no Footlights Club, uma pensão que alberga mulheres que estão a tentar seguir uma carreira no teatro. Temos essencialmente duas personagens principais: Terry Randall (Katharine Hepburn) e Jean Maitland (Ginger Rogers). Terry Randall é a nova hóspede da pensão que, apesar de rica, decide que quer seguir uma carreira no teatro e Jean Maitland é a sua pobre, experiente e espevitada colega de quarto. A história vai girar em torno da interacção destas personagens, a sua relação com as outras colegas de pensão e a sua luta profissional.


Em primeiro lugar, tenho de elogiar o elenco deste filme que é constituído por actrizes muito talentosas. Ginger Rogers conquistou-me novamente com o seu carisma e energia. Irei ver mais filmes com ela certamente.
Katharine Hepburn é conhecida por interpretar, muitas vezes, a mulher forte, de classe alta, independente e teimosa e muitas vezes é criticada (tal como a sua personagem) por não apresentar um lado mais vulnerável e emotivo. Neste papel, ela tem a oportunidade de, na recta final do filme,  mostrar que é uma actriz talentosa que também consegue ser versátil apesar de ser escolhida geralmente para o mesmo tipo de papéis.


Para além das protagonistas temos outras personagens interessantes, tais como, a divertida Eve (Eve Arden), a snob Linda (Gail Patrick), a sarcástica Judith (Lucille Ball), a animada Annie (Ann Miller) e a doce Kay (Andrea Leeds). Todas estas personagens funcionam muito bem enquanto grupo e é muito fácil colocarmo-nos na sua pele e sentirmos carinho por elas enquanto lutam pelos seus sonhos e enfrentam diversas dificuldades e obstáculos. 


Para além das soberbas interpretações, o filme conquistou-me também pelo seu argumento e qualidade dos diálogos. À primeira vista este parece um filme muito leve e divertido, devido aos seus diálogos espirituosos e rápidos, mas acaba por ser também um drama que aborda temas muito importantes de uma forma mais subtil e autêntica. É um filme que aborda o sentimento de fracasso, rejeição, a ilusão de uma carreira no teatro e amizade feminina. 


Essencialmente, este é um filme bastante feminista, bem feito, que não tem a necessidade de escarrapachar "girl power" na nossa cara. É um elenco maioritariamente feminino, apresentando apenas um protagonista masculino importante, mas não soa forçada esta constituição do elenco. 
Recomendo bastante este filme, especialmente para os fãs de filmes clássicos e filmes feministas.



FICHA TÉCNICA:
🎥 Realizador: Gregory La Cava 
🎬 Ginger Rogers; Katharine Hepburn;   
📼 1h32m; Drama/Comédia 
♥ 7,8/10



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