Quintas Indie | Take shelter (2011)

Take Shelter (O Abrigo em Portugal), segundo filme realizado por Jeff Nichols, foi lançado em 2011. É também o segundo filme que vejo do realizador e, desta vez, não me desiludiu.
Curtis (Michael Shannon) é um homem grato pelo que a vida lhe reservou: casou com a mulher que ama (Jessica Chastain), tem um emprego razoável e uma filha que, apesar da sua surdez, é uma criança alegre e cheia de vida. Tudo se altera quando, sem razão que o justifique, começa a ter um pesadelo recorrente onde uma tempestade cataclísmica destrói tudo à sua volta. 
Há cerca de dois meses atrás vi o filme Midnight special, o mais recente filme de Jeff Nichols, e foi um filme que me desiludiu, apesar das boas críticas que tem recebido. Senti que o filme tinha bastante potencial mas apresentava vários elementos e falhas no enredo que não me agradaram. Contudo, decidi dar uma segunda oportunidade ao realizador e resolvi ver Take Shelter, um filme que me agradou muito mais.


Take shelter é um filme que nos conta a história de Curtis, um homem com uma boa vida e família, que de um momento para o outro começa a ter sonhos e visões apocalípticas. Curtis vê-se assim confrontado entre o seguir o seu instinto e começar a preparar um abrigo, de modo a garantir a sobrevivência da sua família, ou aceitar que provavelmente o seu estado mental não é o melhor. 


Esta é uma história com um ritmo bastante lento mas que acaba por se enquadrar bem no enredo uma vez que leva a um aumento progressivo da tensão e ao nosso constante questionamento sobre se Curtis está realmente certo. Subtilmente, o filme acaba por conseguir abordar uma série de temas, como por exemplo, saúde mental, dinâmica e responsabilidade familiar, o pessimismo económico actual, entre outros. É, acima de tudo, um drama familiar e psicológico com uns pequenos toques de ficção científica. 


As interpretações são muito boas. Michael Shannon consegue transmitir com sucesso toda a angústia e paranóia pela qual a sua personagem está a passar e Jessica Chaistain consegue tornar a mulher do Curtis numa personagem bastante autêntica e empática. Acaba por ser fácil compreender as emoções das personagens e é difícil não sofrer com elas.

Gostei também bastante do final. Estava bastante preocupada que, tendo em conta a premissa, o final fosse anticlimático mas conseguiu ser ambíguo e proporcionar uma boa resolução ao mesmo tempo. Visualmente, o filme é também bastante bem conseguido especialmente durante as visões apocalípticas.


Concluindo, é um filme que recomendo para quem gosta de dramas pessoais e familiares com um ritmo um pouco mais lento.





FICHA TÉCNICA:
🎥 Realizador: Jeffrey Nichols 
🎬Michal Shannon, Jessica Chaistain  
📼 2h01m; Drama/Thriller 
♥ 7,4/10




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